• Alex Fraga

Crítica – Livro “Doce Diabo” é uma linda explosão de poemas irreversíveis!


A professora Conceição Luz acertou em cheio ao iniciar suas considerações escritas na “orelha” do livro poético “Doce Diabo”, de Alessandro Sputnik: “Provocativo, inquieto, questionador, visceral...”. Recebi a obra do autor há aproximadamente um mês e logo de cara a ousadia foi colocada através do título, que para muitos preconceituosos ou mesmo questionadores religiosos, fatalmente torcerão o nariz justamente pela talvez provocação. A arte da capa e imagens são de Maíra Espíndola, que captou bem o que realmente são os pensamentos poéticos desse pensador irreverente. Seus poemas mesclam sofrimentos diversos e remexem com vários temas que vão da questão religiosa até mesmo política com seus percalços. Poemas diferenciados e que não bloqueiam absolutamente nada, e busca assim: ”Pandemia é panfleto/Afeto é todo grama/(cinema de Mamulengo)/Alegria é drama/Dor/ É pra quem ama”. Ou mesmo quando viaja como o fez com o poema “Distante” - “Quando vou dormir/Meu cão vai comigo/Como um anjo da guarda/Que ladra./Minha fada dorme ao lado/Suas asas insones e levam longe.../Meu grito sonha/Calado”. Assim é o jeito poético de Sputnik com suas diferenças das palavras que se acasalam mesmo sendo diferentes e diversas. Elas simplesmente se encontram e fazem todo esse “barulho de emoções. É questionador esse “Doce Diabo” que viaja com um toque de cinismo com “Trem-fantasma”, desperta a sensação de vazio com “Nada” e até uma critica velada com “Seres nas bolhas” sobre situações de pessoas invisíveis pelas ruas. Sputnik é provocativo sim e na verdade é que todo o poeta deve ser. Não amansar jamais e explode em palavras até mesmo as mais complicadas para se formar um poema (aos que não acreditam na formação de ideias), chegando em seu “Inferno Frumento” que escreve: “Finalmente a sobremesa/Finalmente os mortos na manteiga/bem assados ao molho madeira/Ceia completa; crianças, jovens, cachorros/Idosos, macacos, e fetos/Todos viram alimento/Todos viram vento/Vulcão é o inferno frumento”. Ler o livro “Doce Diabo” é um verdadeiro prazer poético. O diferencial é que o livro mostra que não se pode ficar na mesmice poética, já que amor, ódio, desejos e outras coisas, podem sim se misturar e formar bons poemas. Sem dúvida, é uma linda explosão irreversível de letras. Vale a pena ler com certeza!

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