• Alex Fraga

Crítica – Rostos musicais é a força de Erika Pedraza em tempo de pandemia


Friedrich Nietzsche disse um dia: “Temos a arte para não morrer da verdade!”. Essa talvez seja a visão mais realista que enxergo nos trabalhos da jovem artista visual Erika Pedraza. Nesses tempos de pandemia deu está dando para acompanhar mais trabalhos de artistas do Mato Grosso do Sul que não pararam de produzir, apesar dos tempos sombrios. Agora com essa nova série que está desenvolvendo, dá para perceber a leveza dos seus traços. Essa maneira de escolher alguns artistas da música para pintar seus rostos, é sintonia clara que deixa sua ansiedade e tensão de lado, colorindo assim suas telas. É aquilo: “sem a música a vida seria um erro”, falando notoriamente das frases de Nietzsche. Esse olhar expressivo e muito sentimental mostra que Erika Pedraza vem lapidando gradativamente seu jeito singular de pintar pessoas que levam a música para salvar o tédio e a solidão. Uma série acrílica viva e com cores bem cruas com inspiração ao Pop arte. Um movimento artístico surgido na década de 1950 no Reino Unido, mas que alcançou sua maturidade na década de 1960 nos Estados Unidos. O nome desta escola estético-artística coube ao crítico britânico Laurence Alloway (1926 - 1990) sendo uma das primeiras, e mais famosas imagens relacionadas ao estilo - que de alguma maneira se tornou paradigma deste - a colagem de Richard Hamilton (1922 - 2012): O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?, de 1956. A Pop arte propunha que se admitisse a crise da arte que assolava o século XX desta maneira pretendia demonstrar com suas obras a massificação da cultura popular capitalista. Procurava a estética das massas, tentando achar a definição do que seria a (cultura pop), aproximando-se do que costuma chamar de kitsch. Assim, Erika Pedraza se aprofunda com essa série que faz com que tenha mais calma em um tempo complicado. Aparece com rostos famosos e muito fortes: Elza Soares, Cartola, Sabotage, Emicida, Belchior, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Bezerra da Silva são alguns que estão nesse trabalho mais que psicodélico. Sua militância pela causa negra faz pintar em sua maioria artistas pretos. E nessa negritude rompe barreiras e consegue a cada trabalho, seu espaço mais que importante no cenário sul-mato-grossense. Os preços de suas telas relativamente baixos pela grandiosidade da arte de Erika, e variam de R$ 200 a R$ 600. Vale a pena adquirir com certeza! Um trabalho bem diferenciado...

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